Vitor Ishiy tenta adaptar treinamentos de Tênis de Mesa em Quarentena na Europa

“É uma sensação nova, uma experiência que todos os atletas estão vivendo agora. É complicado porque não conseguimos treinar como gostaríamos, mas a gente sabe que é desse jeito e tem que se adaptar, trabalhar com o que a gente tem. Não é o momento de ficar se lamentando. A gente tem que manter o corpo ativo e estar preparado para quando voltar, que a gente não sabe quando vai ser”, avalia o mesa-tenista Vitor Ishiy.

Vitor Ishiy - Brasil

Mesmo sem a definição da composição da equipe, Ishiy sabe que tinha grandes chances de ocupar uma das outras duas vagas na equipe do tênis de mesa. “Seria bom se a Olimpíada fosse agora. Daqui a um ano, o ranking vai mudar e não dá para saber se vou ou não, mas não adianta. Eles tinham que adiar. Acho que era impossível sediarem os Jogos nessas condições. Agora tenho que trabalhar duro de novo por mais um ano”, comenta.

Trabalhar duro, contudo, não tem sido exatamente fácil. Com o clube fechado, Ishiy e Calderano estão se virando como podem na cidade alemã de Ochsenhausen. Conseguiram uma mesa e materiais de preparação física emprestados da equipe e montaram uma estação de treinos na casa de Hugo. Vitor, que mora em outro lugar, mudou-se provisoriamente para a casa de um preparador físico francês, que retornou ao país de origem. “É no mesmo condomínio do Hugo, assim não preciso andar pela rua”, explica.

“É complicado. A gente tenta se adaptar, mas não dá para treinar igual antes. Tem dia que treinamos duas vezes, tem dia que treinamos uma só ou pegamos para descanso. Com a notícia da Olimpíada adiada, é também um período para pensar bem no que é preciso trabalhar de novo”, acredita Vitor. “É uma mistura de emoções. No primeiro dia fiquei um pouco afetado, dei uma desanimada, mas no outro dia já tem que pensar positivo. Tem que pegar a melhor parte disso, pensar que dá para se preparar melhor. Se eu me classificar, vou estar mais bem preparado para representar o Brasil”, confia. 

Uma das maiores dificuldades do modelo de treino atual é não poder variar os adversários na mesa. “Normalmente somos 20 jogadores no clube, mas todos voltaram para suas casas e os brasileiros ficaram aqui. A gente se conhece bem, consegue treinar bem, mas é limitado. Não tem essa variação de adversários que é muito importante para o tênis de mesa”, acrescenta. 

Ainda assim, ter os materiais à disposição já foi um certo alívio. “O fato de a gente estar tocando na raquete já é muito bom. Quando fico duas semanas sem tocar na raquete, volto sem ritmo de bola”, explica. “Mas chegar em um jogo, em uma competição, é diferente. Vai demorar um pouquinho para voltar, mas acredito que vai ser para todo mundo. Não tem privilégio de alguns”, ressalta Ishiy.

Retornar ao Brasil chegou a ser uma possibilidade, mas acabou descartada. “Sou de São Paulo e o Hugo é do Rio. A gente pensou em voltar para o Rio de Janeiro e alugar alguma casa que tivesse um espaço grande para poder treinar entre a gente, mas a situação no Brasil ainda estava começando e a Alemanha já estava em quarentena”, relembra. Preservar os pais foi o fator decisivo para a estadia na Europa durante a pandemia. “Meus pais já são de idade. Eu poderia pegar o vírus no aeroporto, fiquei com medo de passar para eles”, conta Vitor.

Crédito: Surto Olímpico

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